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Entrevista com Josenito Vitale de Jesus - DEM

Aracajuano, casado, pai de dois filhos. Aos 42 anos, Nitinho, como é mais conhecido, comemora os 4.371 votos que lhe deram a sétima colocação entre os vereadores eleitos. Este será o seu terceiro mandato como legislador municipal, e isso é motivo de orgulho para a família do garoto que começou a trabalhar aos 11 anos informalmente cuidando de carros estacionados na porta de faculdade particular no Centro de Aracaju; guardou vagas na fila do antigo INPS; fez carrego; catou cobre; vendeu geladinho na praia e ainda foi barraqueiro durante dois anos.

Nitinho tem como prioridade continuar defendendo a revisão do Plano Diretor, que ainda não foi votado, e a revisão do contrato do município com a Empresa Torre, responsável pela coleta de lixo de Aracaju.

Em entrevista concedida ao Meuclassificadão o vereador não economizou elogios ao ex-governador João Alves e críticas ao governador Marcelo Déda. Confira a entrevista completa.

 

Meuclassificadão - Você poderia contar como foi a sua adolescência até você conseguir chegar nesse patamar atual?

Nitinho – A minha vida foi aqui no Centro. Eu era o xodó da vizinhança e sempre muito amigo dos amigos. Meu pai era militar e minha mãe também trabalhava muito. Desde cedo eu tive que me virar. Eu já tomava conta de carro a noite, guardava lugar na fila para as pessoas da minha rua e meus pais nunca foram contra. Fazia carrego, entregava jornal, vendia garrafa. Meu pai só reclamou quando eu comecei a perder noite para ir paras as festas. E foi nesse tempo que fiz grandes amigos até hoje. Os mesmos amigos que eu já paguei lanche várias vezes. Nunca quis fazer parte de movimentos sindicais porque não acho certo. Nunca usei um amigo meu em prol dos meus desejos pessoais. Nem um adesivo eu dei aos meus amigos na campanha, eles que sempre me pediram. Tudo muito espontâneo. Em 1988, meu pai não queria que eu entrasse na política, mas depois da morte dele eu entrei com o apoio dos meus amigos, que sempre apoiaram essa idéia.

 

MC – Quem te levou para a política?

N - Você para entrar na política, tem que entrar porque o povo quer. E comigo foi assim. Tanto que até a minha campanha foi diferente. As minhas passeatas foram diferentes porque ninguém estava lá por obrigação. Eu não precisei pagar gasolina para ninguém. Todos estavam lá por vontade própria, por amizade. Minha passeata era uma festa. Quando eu decidi ser político, eu resolvi gostar de mim, ou seja, eu precisava me policiar todos os dias. Eu aprimorei Nitinho. Um homem público precisa respeitar todo mundo, inclusive o eleitor.

 

MC – Você fez uma campanha com poucos recursos. Como você conseguiu essa reeleição?

N - A sinceridade sempre esteve presente. Desde o inicio sempre tive muitos votos. E eu sou uma pessoa que tem muitos amigos que gostam de mim. E sempre foi assim.

 

MC – O pessoal do seu partido acreditava no seu potencial no inicio?

N – Eu sofri muito. Na época quem me ajudou foi um gerente do PFL na época. Eu sempre estive no PFL e só saí por um tempo porque não estava sendo bem tratado, mas depois voltei.

 

MC – O que levou você a voltar para o Partido?

N – Eu acredito nas pessoas e nos seus projetos. Eu vejo muita promessa e muito discurso por aí.

 

MC – Então você tem um ídolo?

N – Tenho. João Alves Filho. É o único homem em Sergipe com uma visão futurista. Ele desenvolveu o Estado. O povo tem mania de dizer que ele é o grande corrupto e é ao contrário. Não tenha nada na vida pública dele que possa manchar o seu nome e nem grandes fortunas. . Se olharmos os projetos, tudo o que foi feito nesse Estado foi por João Alves. Hoje nós temos um Estado parado, onde não se vê uma grande obra. As obras são necessárias para o desenvolvimento da cidade.

 

MC – Mas essas obras não são estratégias dos governantes, que deixam para os dois últimos anos do mandato a construção dessas obras para serem lembrados?

N – Deus ajude. Se isso realmente estiver acontecendo eu ficarei muito feliz. Se o Governador estiver planejando grandes obras eu irei parabenizá-lo.

 

MC – Como você se sente sendo da bancada de oposição do Governo?

N – Em alguns momentos você acaba ficando frustrado, independente da posição. Na prática, nada funciona. Não há uma prática real de fiscalização no nosso país. O poder hoje está na mão do mesmo grupo. Até os meios de comunicação estão se comportando de maneira diferente. Está realmente faltando uma política para todos.

 

MC – Houve algum projeto apresentado por você na Câmera e ele deixou de ser aprovado por vontade contrária a da bancada do Governo?

N – Vários projetos como a Semana Municipal do Esporte Amador. O projeto verão foi praticamente criado por mim. Em 1998 eu fiz esse evento e logo depois, no ano seguinte, eu perdi a eleição e o projeto foi o sucesso. Teve pista de MotoCross, shows, várias coisas tudo no mesmo dia. E esse projeto acabou sendo aproveitado pela vereadora Tânia Soares. Criei também a Lei de Incentivo ao Esporte, que até hoje não está em prática. Criei a Livraria Popular, o projeto foi aprovado, mas nem sei se foi sancionado ainda. O incentivo à leitura é muito importante. A educação não está tendo uma devida atenção.

 

MC – Qual a sua visão do Governo e da Prefeitura de Aracaju?

N – Eu não posso trabalhar com a visão e com a vontade de que tudo dê errado. Não é assim que se faz política. Eu desejo que realmente sejam cumpridas as promessas que foram apresentadas. Fazendo uma análise geral do PT: o PT não existe! O que existe é o PSDB, o PMDB... o que existe são os aliados. Quem ganhou nessas eleições foi a estrutura. A máquina administrativa funcionou na campanha. Várias obras, várias pressões. Se amanhã esses aliados deixarem Marcelo Déda, ele acabou! Não se elege mais. Se Jackson Barreto e Valadares se unirem para formar um outro bloco, acabou-se Déda. É o candidato que só vai ao povo quando precisa. Tem um discurso bonito e o povo gosta disso e vai lá e vota. Não pensem que em 2010 tudo já estará resolvido, muita coisa pode acontecer. Ele entregou o Governo nas mãos dos aliados e sem eles, ele não conseguirá se reeleger.

 

MC – Na oposição você tem dificuldade de desempenhar um bom mandato?

 N – Não. O que a população precisa entender é que o político precisa fazer um trabalho coletivo. O povo tem que analisar o político pelas suas ações, pelas suas posturas dentro do parlamento.  Infelizmente hoje se está muito vinculado a questão pessoal e então se tornou essa política que está hoje, de voto por mercadoria.

 

MC – Em 2010, quem você acredita que será o Governador do Estado?

N – Acredito na eleição de João Alves.

 

MC – E no Senado?

N – Ainda não sei porque teremos prováveis candidatos. Mas votarei no candidato do meu grupo e até agora não tem um nome formado.

 

MC – Qual o seu projeto futuro como político?

N – Eu desejaria muito sair como candidato a deputado estadual, mas é muito difícil pela conjuntura. O trabalho que eu faço na capital não tem condições de serem feitos no interior para assim, conseguir mais votos.

 

MC – Você acha que você foi o candidato que menos gastou dinheiro com a campanha?

N - Sem dúvidas foi o vereador Nitinho que gastou menos com a reeleição. Só não tem como saber os reais valores.

 

MC - O candidato Vinícius Porto, que perdeu nas últimas eleições, acredita que o senhor foi beneficiado pelo Partido. Isso aconteceu de fato?

N – O Partido ajudou a todos os candidatos. E ainda possui dificuldades para aglomerar nomes para formar a chapa de vereadores. Mendonça Prado, João Alves e Jose Carlos Machado trabalharam para todos os candidatos do partido. Naquele momento só tinha quatro ou cinco candidatos para vereador. Tanto que eu não tive padrinho nenhum. Vinicius Porto em 1998 obteve 1.500 votos e quando João se elegeu em 2002, Vinicius Porto estava no DEM e ele pulou de 1.500 votos para mais de 4000 votos. Eu queria saber qual foi a mágica.

 

MC – E com isso você não se sentiu prejudicado?

N – Nessa época eu fazia parte do Prona. Mas eu não me senti prejudicado não. Eu sempre tive bastante votos, desde o inicio. Já concorri com candidatos fortes como Vovô Monteiro e eu consegui me eleger como o primeiro do Partido. Ninguém elege ninguém. Só se for uma estrutura muito grande, aí elege. Eu nunca tive grandes ajudas.

 

MC – Você tem uma assessoria?

N – Eu tenho um advogado e um assessor.

 

MC – Qual será o maior desafio a partir de 2009?

N – Tentar embutir na cabeça dos parlamentares que eles precisam se aliar, que eles não podem ser omissos. Precisam ser parceiros e trabalhar pelo povo, até porque eles não serão vereadores a vida inteira.

 

MC – Você acredita que a compra de votos ainda pode decidir uma eleição?

N – Isso já está enraizado. E está crescendo. E é difícil a Justiça Eleitoral tomar conta.

 

MC – Na época da campanha eleitoral, o senhor sugeriu uma intervenção do TRE sobre alguns candidatos que usavam de personagens para conseguir uma vaga na CMA. Qual foi o motivo dessa atitude? Sendo que aquele ser fantasiado pode trabalhar mais e até melhor do que vários outros vereadores tidos como sérios.

N – O próprio TRE quer corrigir a eleição e não dá para deixar, até porque ele não vai assumir o mandato daquele jeito. Eu jamais faria isso. Política é uma coisa séria, com propostas e aquilo ali é uma brincadeira. Eles podem até trabalhar bem, mas a forma de se apresentar é incoerente. Esses candidatos precisariam ser banidos.

 

MC – Existiram promessas na sua campanha?

N – Fiz promessas possíveis de serem executadas e vou lutar por elas.

 

MC – Em um determinado programa de televisão foi transmitido um tr  onde você disse que deveria haver uma pessoa do esporte ocupando a secretaria de esportes. Foi somente isso que você falou?

 N – Falei isso e ainda falei sobre vários projetos. Não precisa colocar um atleta na Secretaria, mas alguém que olhe o esporte com amor. Não dá para colocar um administrador para administrar a Secretaria. Tem que ser uma pessoa que vivencie o esporte, que entenda.

 

MC – Há muitas idéias boas na área de esportes, você acha que elas vão ser agregadas e postas em prática?

N – Não porque as pessoas são muito individualistas. Ninguém quer opinião. Nós temos um parque aquático que poderia ser muito bem utilizado, mas ele se encontra abandonado.

 

 

MC – Além do esporte, alguma outra área vai ter uma atenção especial de Nitinho?

N – Vou lutar por várias causas. Uma delas é pela volta dos corujões, para que os trabalhadores noturnos tenham melhores condições e não corram riscos.

 

MC- Seus projetos na Câmara são pouco divulgados?

N - Às vezes é pela falta de estrutura. Eu criei o Código de Defesa do Consumidor, muito importante para a população, mas precisa ser impresso e nós não temos estrutura para isso.

 

MC – Quem é o seu candidato a presidente da Câmara?

N – Eu não vou anular o meu voto, mas vou votar no poder. Ainda não sei em quem vou votar.


 
 

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